Search EN menu en EIB GROUP CLIENT PORTAL
Search
Results
Top 5 search results See all results Advanced search
Top searches
Most visited pages

Europa superpotência

A Europa pode ser um tipo diferente de superpotência, dada a medida em que dá prioridade aos valores, às regras e ao multilateralismo em detrimento do poder absoluto. Mas é uma superpotência, no entanto, e está cada vez mais a perseguir investimentos e reformas que a tornarão não só inatacável, mas também amplamente atraente num mundo perigoso.

Por 24 February 2026
 

Listen

LUXEMBURGO – Se há uma lição importante a tirar da recém-terminada Conferência de Segurança de Munique, é uma mensagem de confiança na Europa. A União Europeia é uma potência nas áreas da tecnologia, do comércio e da indústria.

Por toda a Europa, os sinais dessa força são evidentes: ao largo da costa norte da Polónia, logo além do horizonte, 233 turbinas gigantes – cada uma quase tão alta como a Torre Eiffel – estão prestes a erguer-se do fundo do mar. Com rotores alemães, fundações concebidas na Dinamarca e cabos provenientes da Polónia e da Grécia, serão símbolos da excelência da indústria transformadora europeia e da sua força industrial. Como as mais recentes adições a uma já vasta frota no Báltico, estão a criar milhares de empregos ao longo da cadeia de abastecimento; e, quando estiverem operacionais, irão fornecer energia limpa a mais 5,5 milhões de famílias.

Produzindo energia feita na Europa, pela Europa e para a Europa, os parques eólicos marítimos da Polónia são tão importantes do ponto de vista estratégico quanto económico. Contribuem para a expansão da energia limpa que está a ocorrer em todo o continente, desde Itália, no sul, até à Irlanda e à Lituânia, no norte. Cabos e interligações — suficientes para dar várias voltas à Terra — estão a ser instalados para ligar os mares ventosos do norte da Europa à costa ensolarada do Mediterrâneo, criando uma autoestrada para a era dos eletrões.

Entretanto, sensores de fibra ótica de última geração, desenvolvidos por inovadores neerlandeses, estarão a monitorizar o fundo do mar para proteger as infraestruturas críticas da Europa. Novas constelações de satélites desenvolvidas na Bélgica irão oferecer capacidades reforçadas de vigilância a partir do espaço, a par de sistemas de radar de ponta provenientes de França e de Espanha. E todos estes sistemas estarão interligados por redes 6G potenciadas por IA desenvolvidas na Finlândia.

Estes são apenas alguns dos quase 900 projetos de investimento financiados pelo Grupo do Banco Europeu de Investimento só no último ano. Ao alavancar as garantias do orçamento da UE para mobilizar investimento privado, o Grupo BEI está a impulsionar as revoluções energéticas e tecnológicas em curso. A transição para o mundo de amanhã já está em pleno andamento na Europa — um desenvolvimento de grande relevância que continua a ser ignorado no meio das rápidas mudanças geopolíticas.

Na verdade, o investimento global na transição energética da UE atingiu um novo recorde em 2025, aproximando-se dos 400 mil milhões de euros (455 mil milhões de dólares) — desde a energia hidroelétrica na Áustria até às novas linhas ferroviárias na Chéquia, e desde as melhorias na eficiência energética realizadas por pequenas empresas na Croácia até à adoção de tecnologias limpas por indústrias pesadas em Portugal. Só no ano passado, a capitalização bolsista combinada das empresas europeias de energias renováveis aumentou mais de 50 %. Algo que muitos consideravam impossível a curto prazo já está a acontecer: a Europa está a libertar-se irreversivelmente do gás russo.

Os investimentos europeus em defesa estão a aumentar ainda mais rapidamente. As ações do setor da defesa europeu triplicaram de valor nos últimos três anos. A capacidade de produção industrial da Europa ultrapassa agora até mesmo a dos Estados Unidos em áreas críticas, incluindo munições de artilharia. A Europa está a avançar a passos largos para setores e tecnologias estratégicas, como os drones. Um novo ecossistema de capital de risco, orientado para empresas pioneiras nas áreas da segurança e da defesa, surgiu quase de um dia para o outro e praticamente do zero.

Já assistimos a uma mobilização semelhante no passado. Em 2020, ninguém esperava que uma empresa europeia de biotecnologia fosse pioneira no desenvolvimento de uma vacina contra um vírus desconhecido, em questão de meses, ajudando o mundo a combater uma pandemia que ocorre uma vez a cada século. Também ninguém imaginava que os líderes europeus lançariam um vasto programa de recuperação e resiliência financiado por dívida conjunta – uma demonstração sem precedentes de solidariedade e unidade. Quando a invasão em grande escala da Ucrânia pela Rússia provocou uma forte subida dos preços da energia, todos presumiram que a economia europeia entraria em colapso. Em vez disso, o PIB da zona euro cresceu mais rapidamente do que o da China e dos EUA nesse ano.

Perante a guerra comercial, a intensa volatilidade dos mercados e a reconfiguração de parcerias e alianças tradicionais, as empresas europeias demonstraram resiliência, não só diversificando os seus fluxos comerciais, mas também mantendo níveis sólidos de crescimento e investimento. Em 2025, os mercados bolsistas europeus acabaram por superar o desempenho das bolsas dos EUA, recompensando os investidores que confiaram na nossa economia. O desemprego mantém-se próximo de mínimos históricos e o crescimento está a acelerar, graças a países com forte desempenho, como Espanha e Polónia. A Europa afirmou-se como um farol de estabilidade num mundo incerto.

Repetidamente, a UE adaptou-se e reinventou-se perante as crises, ficando bem preparada para navegar num ambiente geopolítico tempestuoso. Potência exportadora, a UE alberga universidades e centros de investigação de nível mundial, bem como um ecossistema dinâmico de startups. Sondagens de opinião revelam níveis recorde de apoio público à UE e ao euro, e inquéritos globais indicam que maiorias em todo o mundo veem a UE como uma grande potência em pé de igualdade com os EUA e a China.

Têm razão em fazê-lo. Com uma economia de 22 biliões de dólares, um vasto mercado único com quase 500 milhões de pessoas e planos para uma nova vaga de alargamento, o peso da Europa no mundo é inegável. Pode tratar-se de um tipo diferente de superpotência, que valoriza os princípios, as regras e o multilateralismo acima da força bruta. Mas o seu poder reside no compromisso com esses valores e na disponibilidade para apoiar os seus parceiros e aliados, como demonstra o facto de ser a maior fonte de assistência financeira e militar à Ucrânia.

A Europa continua a construir pontes num mundo de muros. É a principal potência comercial mundial, posicionada no centro de uma vasta rede de acordos de comércio livre em constante expansão. É também uma superpotência de investimento que promove prosperidade partilhada em todo o mundo. Como maior fonte de ajuda humanitária e financiamento ao desenvolvimento, a Europa financia tudo, desde campanhas globais de vacinação até projetos destinados a melhorar o abastecimento de água em Amã e Carachi.

Fazemo-lo porque permanecemos fiéis aos mesmos valores que nos trouxeram até aqui. A unificação europeia começou há quase oito décadas, a partir das cinzas de duas guerras mundiais. Os nossos pais e avós aprenderam com as tragédias e os erros dessa época sombria, e podemos inspirar-nos no seu exemplo para moldar um futuro melhor para nós e para os outros, em todo o mundo. A nossa sociedade baseia-se na inclusão, na igualdade de oportunidades, na liberdade intelectual, na paz e no Estado de direito.

Sabemos o que é necessário fazer para preservar este modo de vida. Precisamos de uma integração ainda mais profunda, incluindo os nossos mercados de capitais. Precisamos de investimentos de grande escala ainda mais ambiciosos em infraestruturas críticas e capacidades estratégicas. Precisamos de simplificação para tornar a UE mais ágil e eficiente. E precisamos de mais parcerias e alianças mutuamente vantajosas para diversificar as nossas cadeias de abastecimento e abrir novos mercados para os nossos bens.

O impulso está a ganhar força em todas estas áreas. Os líderes europeus estão focados e estamos determinados a tirar partido dos pontos fortes da Europa enquanto superpotência global subestimada.