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  • 75 % dos inquiridos acreditam que a invasão russa da Ucrânia e as suas repercussões deveriam impulsionar a aceleração da transição ecológica
  • 92 % consideram que, se não reduzirmos drasticamente o nosso consumo de energia e de bens nos próximos anos, iremos enfrentar uma catástrofe mundial
  • 70 % gostariam de ver os preços da energia indexados ao consumo, aumentando o valor da fatura de quem mais consome
  • 69 % são a favor de um agravamento da tributação das atividades poluentes, tendo em conta o seu custo ambiental

Estes são alguns dos resultados do mais recente Inquérito anual sobre o Clima realizado em agosto de 2021, hoje publicados pelo Banco Europeu de Investimento (BEI). O BEI é o braço financeiro da União Europeia e o maior financiador multilateral de projetos de ação climática em todo o mundo.

Depois de um ano difícil, em que a invasão russa da Ucrânia desencadeou uma crise energética ainda sem fim à vista e acelerou a inflação em toda a Europa, e das temperaturas extremas registadas no verão, marcado por vagas de calor e secas sem precedentes, os portugueses ficaram ainda mais conscientes do impacto das alterações climáticas e da necessidade urgente de agir.

Consciencialização e urgência das alterações climáticas

Enquanto no ano passado, o maior desafio enfrentado pela população portuguesa era a COVID-19, agora dominam as preocupações com a inflação, apontada como principal desafio por 59 % dos portugueses, face a 36 % no resto da UE.

Apesar da crise energética e da inflação, mais de um terço dos portugueses (37 %) considera que as alterações climáticas são um dos principais desafios que o país enfrenta (+9 pontos percentuais do que no ano passado), constituindo motivo de preocupação crescente sobretudo entre os inquiridos com mais de 65 anos (52 %; +18 pontos percentuais do que no ano passado).

 Além disso, 82 % dos portugueses afirmam sentir já os efeitos das alterações climáticas na sua vida quotidiana (+5 pontos percentuais do que em 2021).

Noventa e dois por cento dos inquiridos consideram que, se não reduzirmos drasticamente o nosso consumo de energia e de bens nos próximos anos, enfrentaremos uma catástrofe mundial. Por sua vez, 93 % dos inquiridos consideram que a atuação do governo é demasiado lenta, e apenas uma minoria (48 %) acredita que Portugal vai conseguir reduzir substancialmente as suas emissões de carbono até 2030.

Guerra na Ucrânia e transição ecológica

A maioria da população portuguesa (75 %) considera que a guerra na Ucrânia e as suas repercussões nos preços do petróleo e do gás deveriam impulsionar a aceleração da transição ecológica (+9 pontos percentuais do que a média europeia de 66 %).

>@Graphic workshop/EIB

Quando questionados sobre a ordem de prioridades de ação, os portugueses esperam que o seu governo dê prioridade ao desenvolvimento das energias renováveis (60 %), antes de se concentrar na diversificação do aprovisionamento energético para evitar a dependência excessiva de um único fornecedor (24 %).

A poupança energética ocupa um lugar mais baixo na ordem de prioridades, sendo que 16 % (contra 19 % da média da UE) dos portugueses consideram prioritário os cidadãos e as empresas empenharem-se mais na redução do seu próprio consumo.

Combater as alterações climáticas e fazer face aos elevados preços da energia

Para reduzir o consumo energético, os portugueses (70 %) gostariam de ver os preços da energia indexados ao consumo, aumentando o valor da fatura de quem mais consome. Também são a favor de um agravamento da tributação das atividades poluentes, tendo em conta o seu custo ambiental (69 %).

Se os portugueses tivessem de reduzir a temperatura das suas casas neste inverno, 16 % estariam dispostos a limitá-la a 19 °C (-12 pontos percentuais face à média da UE de 28 %). No entanto, 26 % dos portugueses afirmam que nem agora conseguem aquecer convenientemente as suas casas.

>@Graphic workshop/EIB

Por último, para fazer face aos elevados preços da energia, os portugueses (43 %) consideram que, a curto prazo, o governo deveria dar prioridade à redução dos impostos relacionados com a energia. Outras medidas, como a limitação ou regulação dos preços do gás, do petróleo e do carvão (26 %) ou a distribuição de vales de energia (8 %), são menos populares.

Segundo Ricardo Mourinho Félix, vice-presidente do BEI: «Na senda da conferência sobre o clima COP27, os resultados do Inquérito do BEI sobre o Clima 2022 mostram que os cidadãos portugueses acreditam que, para combater a crise energética e climática mundial, deveria ser prioritário acelerar as medidas no domínio das energias renováveis e da eficiência energética. O BEI apoia, há muitos anos, projetos de investimento inovadores relacionados com energias limpas em Portugal, como parques eólicos e habitação social mais eficiente do ponto de vista energético. Estamos dispostos a colocar toda a nossa gama de instrumentos de aconselhamento e financiamento ao serviço de Portugal para apoiar uma transição ecológica e energética justa que não deixe ninguém para trás.»

Informações gerais

O Inquérito do BEI sobre o Clima

O Banco Europeu de Investimento lançou a quinta edição do Inquérito do BEI sobre o Clima, que avalia de forma exaustiva as opiniões da população sobre as alterações climáticas. Realizada em parceria com a empresa de estudos de mercado BVA, a quinta edição do Inquérito do BEI sobre o Clima pretende alimentar o debate mais amplo sobre as atitudes e expectativas em termos de ação climática. Mais de 28 000 pessoas participaram no inquérito realizado em agosto de 2022, com um painel representativo de maiores de 15 anos de cada um dos 30 países abrangidos pelo inquérito.

Sobre o Banco Europeu de Investimento (BEI)

O BEI, que tem por acionistas os 27 Estados-Membros da União Europeia, é a instituição de financiamento a longo prazo da União Europeia. Financia investimentos de elevada qualidade que contribuam para a prossecução dos objetivos da União Europeia. Desde 2019, o BEI tem vindo a acelerar a sua transformação num Banco do Clima, comprometendo-se a consagrar pelo menos 50 % do seu financiamento a partir de 2025 a investimentos que contribuam para combater as alterações climáticas e atenuar os seus efeitos.

A BVA

A BVA é uma empresa de consultoria e sondagens de opinião reconhecida como uma das mais inovadoras do setor no domínio dos estudos de mercado. Especializada em marketing comportamental, a BVA conjuga as ciências sociais com a ciência dos dados, para lhes dar vida tornando-os estimulantes. A BVA faz ainda parte da rede WIN (Worldwide Independent Network of Market Research), uma rede mundial com mais de 40 membros, que reúne algumas das principais empresas de estudos de mercado e sondagens de todo o mundo.